14/10/2009

video

Trabajo de collage produzido en la asignatura de Escultura y Medios Audiovisuales en la Academia de Bellas Artes de la Universidad Politecnica de Valencia en Junio de 2009.

04/06/2009


Toulou

Playa de Valencia


Sorolla, pintor das luzes, valeciano.

27/05/2009

meta-post: sobre o blog

Este blog são como as cestas de vimi de tia-Luzia-que-luze-lá, guardam de tudo...e sobretudo, as poéticas-de-antigamente, pulsante em romantismo atual, que prolonga os afetos em textos, fotos e vídeos.

O olhar performatizador da realidade, pelo qual vejo e me insiro no espaço, em deslocamento, é o que reverte meus momentos, estáticos, diante da tela do blog, em poesia visual cinética.

Assim como o viajeiro do século passado que colecionava territórios por seus fragmentos postais e mapas, este blog propoe um colecionismo de outra ordem. Referências artísticas, impressões, processos criativos e outros são estabelecidos como os 'anti-postais' ou 'alter-postais', que seriam a perspectiva crítica, brincalhona e subversiva, de um corpo que se manisfesta no espaço, na transversalidade do sentido ordinário em expressao artistica.

Os anti-postais, abismos, descrevem uma geografia própria, na qual a linguagem representativa são as metáforas.

22/05/2009

Escutura como Comportamento

Este post se dedica a divulgar e apreciar as aulas da disciplina Escultura como Comportamento: Performance, ministrada por Bartolomé Ferrando, do curso de Bellas Artes da Universidad Politecnica de Valencia.
As aulas, oferecidas duas vezes por semana, com duração de 3 horas são compartidas em três partes:

Ao início da aula, enquanto todos chegam, assistimos algum video, da imageria de Fluxus, de alguns dadaísta, de alguma obra de poesia fonético-sonora ou de festivais de performances internacionais e espanhois. Logo após o video, abre-se o espaço dos comentários, que em geral, são iniciados por pontos minimalistas de linguagem por Bartolomé e terminadas com a voz coletiva dos alunos.



O posicionamento crítico e desconstrutor dos trabalhos artísticos pelos alunos é um de seus objetivos pedagógicos.





A segunda parte da aula é marcada por exposição de teoria, de Happening, Evento, Situação, artistas como Allan Kaprow, Esther Ferrer, Satie, Ana Mendieta, Vostell, Marina Abramovic e outros.





O contéudo é projetado em textos fragmentados, citação e outros acompanhados da análise de Bartolomé.





Performance em deslocamento por Maurício, colombiano.
Ele traçou uma caminho ao qual foi marcado com fita adesiva desde a sala, passando pelo elevador, depois por escadas e logo após, depois de todo o cansaço, a sala, onde ele mesmo se tornou linha.





Chiara, italiana.


A terceira e última parte da aula é prática. A partir de um calendário, os alunos agendam suas ações e apresentam na sala. Após a ação, discutimos entre todos e apontamos nossos pontos de vistas, memórias e referências frente o que foi visto.



A sala de aula, ampla e iluminada, é um espaço de troca e experimentação, onde se encontram pessoas abertas a contribuir com o trabalho dos outros. As aulas de Performance, são tempos de co-criação, de jogo e ação.


Web Página de Bartolomé Ferrando
http://www.bferrando.net/

10/05/2009

Fenomenología de las cosas sencillas

COFFEE AND ICE CREAM










Se quieres tener experiencias ''a la juliette Brioches'' y escribilas a la vez que las sienten, lo mejor es que te apresures, pues el café se enfría y el helado se derrite.











Fotografía de la película La Libertad es Azul, dirigida por Krzysztof Kieslowski, en referencia al acto de Emmanuelle, personaje representado por Juliette Binoche, de sentarse en una cafetería y pedir un cortado y un helado de vanilla, que se volvió en mi, un íntimo triunfo.

08/05/2009



> martim con eme de amor

antipostal de Sevilla, pajarito en el pasillo, bairro Triana

07/05/2009

el cartógrafo fluyente

el devenir de la casa

habitar el tiempo con mucho espacio

la ansia de los cambios

de expandirse por el lugar - el rincón

¿en cuál maceta cabría?







un mapa cabe entero en mis manos

con el una maniobra de miniaturización

un desplazamento de devaneos a través de las escalas









"Porque con frecuencia los mapas se van trazando a partir de las historias personales, pues si es verdad que el origén del mapa se encuentra en la tempranísima necesidad humana de transladarse de un sitio a otro, de describir el camino que conduce de un lugar a otro y que salvaguarda el regreso a casa, no es menos cierto que las historias de vida (...) van modificando las lecturas consuetudinarias de las cartografias."

(DIEGO, Etrella de. Contra el Mapa. Siruela: Madrid, 2008. p. 43)














água de barranco

Estar em um outro rio semântico.
Onde um sentido desvia outro, que surge de uma sensação, ao caminho de várias outras, de um gosto, de miradas, de uma memória de cine, um sofá, texto e canções.
O sentido de ‘morar na filosofia’.
Um rio é sempre um. No ecossistema de um rio, o que não é rio e não são peixes, nem sereias, para nadar, ou passarinho para voar; são os que lhe acompanham em margem, barranco; ou então é pedra rolada.
Têm as águas que se misturam, e logo se desmisturam; têm águas que delas se fazem redemoinhos. Tem água que tinge a pele e outras que aclaram. Tem águas que arrastam e limpam, e as que molham e refrescam.


Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e de água se caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso...” (Rosa, 11, 1971)


A terceira margem do rio não pode ser a correnteza do vago.
Antes o vazio com presença cheia. Há tanto volume do vazio como há ar em copo sem nada, como cantava Chico Buarque. O vazio é o começo do encher, assim como a folha em branco é o começo da letra ou do traço. Há que esvaziar para encher e assim, ao contrário também.
Esta terceira margem que não se vê, será tão translúcida que ofusca ou será opaca que desenfoca?

05/05/2009
































Nonada
por Javier Reta
Kenitra, Marrocos - abril de 2009











01/05/2009

hoje,


todo dia,

o celular, a lavadeira, o premiere, o prendedor, a internet, el cacahuete, a vitamina pronta para beber, o abacate, o gosto latino, a estante, a dança, o passo, a linha, o trabalho.. .


.... ..... ..... a arte, o ganha-pão
série: o trabalho de cada um, na praça central de Marraquesh
>>
















>














28/04/2009

Inútil chorar pelo leite mau, derramado na cara dos caretas.





Segue a "movida Madrileña"
Também te mata Barcelona
Napoli, Pino, Pi, Paus, Punks
Picassos movem-se por Londres
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horizonte.

Ponho meus cornos acima da manada e sigo com minha valente e valenciana risada.

Notas sobre fotografia

O fotógrafo retrata a paisagem ao fragmentá-la, através da escolha do enquadramento desejado. Ele projeta sua identidade naquilo que resolve enfocar.
Após o encantamento do olhar, para registrá-lo é preciso submetê-lo a dispositivas.
O enquadramento da paisagem retira dela mesmo, sua amplitude infinita e a reduz a contornos de ângulos retos.

A fotografia surge da vontade de congelar um instante, para que este seja recordado posteriormente. Ou mesmo do impulso de distanciamento frente determinadas situações, onde o corpo é impelido por um sentimento estético de contemplação; da tentativa de apreender uma luz, uma textura, uma expressão ou impressão, que o tempo-espaço resgata do imaginário.

O ato fotográfico é a relevância de uma faceta singular da realidade e o desejo de evidenciá-la, diante da mutiplicidade de percepções notórias do artista observador.
Através da fotografia se pode revisitar o efêmero.

Vejam as moscas nos pés e mãos dos músicos bereberés no deserto de Merzouga, Marrocos. Com um segundo a mais, elas haveriam voado.




25/04/2009

quando a matemática me fala do amor

A teoria dos conjuntos não é válida. Nada está contido em nada. Nem ninguém.
Devemos usar o axioma da separação para garantir a existência da interseção.
E se usamos o axioma da extensão, comprovamos que a variante Y é única.

ai estão todas as fórmulas das verdades evidentes.

:


()






sacado de wikipedia http://pt.wikipedia.org/wiki/Interse%C3%A7%C3%A3o











Y de Yananda
não irei cantar 'atrás da porta'




foto por mim em ChefChaouen - Marrocos, abril 2009.
soltei os cachorros

eles foram todos correndo

agora descançam

cada um sozinho em seu canto



não era para tanto

24/04/2009

sevilla mon amour



22/04/2009





























Da estrada se vê a cadeia de rochas. Nos pequenos povoados circundados por ela, se pensa que ali é o limite do mundo, pois não se sabe, entre eles, o que vem depois.








Através das nuvens baixas, que recobrem, temporariamente, o coliseu de montanhas marroquinas, pode-se ver todas as cores dos minerais ali presentes, refletidos no solo, pela luz do Sol. Vê-se cores muito variadas, de acordo com a posição e intenção da mirada.








Este é o Atlas.

Ou o anti-atlas:








Aquele que coleciona sensações ao invés de informações.
















POESIA FONÉTICO-SONORA COM CAMELOS

video

Para dizer que não estava trabalhando no deserto... Poesia fonético-sonora com camelos!!

Diálogos imperdíveis. Qualquer dia eu os edito os videos, para que seja mais legal vê-los!

beijos meus a quem vem aqui de vez em quando!

Merzouga - Marrocos

31/03/2009





ASILAH - Marrocos

Sierra Nevada - Andalucia
.
poros cavernosos da terra
meu sangue feito de argila
_diferenças de temperatura
o ar frio que respiro mantém vivo meu coração
fusão, condensação e volalização
um filme chileno, um amontoado na mala
memórias-matéria que em estado primário não voltarei a vè-las
rodas d'água
moinhos, redemoinhos...
sempre entre e sempre mais:
uma vida sembrada!

29/03/2009

Tarde com Marisol







21/03/2009

da distância

HOMBRE
.OMBRO

Moisés es un hombre.

Pasó una nuben de pólvora en el cielo.

Moisés es un nombre.

18/03/2009

Livrar a voz da linguagem!

Luv iu



luv luv lluv lluvivi vivi lluviaaaaaa




Notas sobre poesia fonético-sonora:

1- La voz deveria ser utilizada como instrumento de percussão

2- Na poesia fonético-sonora não há separação entre a música e a palavra, se produz uma sublimação da língua na sonoridade.

3- A voz representa o corpo (idéia de Roland Barthes "mimésis do ritmo vital de uma pessoa").

4- A construção da poesia fonético-sonora está em quem a produz e a ouve.

5- A poesia fonético-sonora está na voz e por trás da voz.

6- A poesia fonetico-sonora se posiciona contra o imperialismo linguístico, ela extrae o que há de repressivo na língua.

7- A poesia fonético-sonora se centra não na mensagem, mas sim no recepção. Através da comoção o receptor intervem na poesia.

8- Na poesia fonético-sonora o som e a grafia se tornam um todo completo. E o sentido está no ritmo, não tanto no significado.





De todo este resumo posso compreender melhor, a comoção que senti ao embalo do meu corpo, quando li por primeira vez o poema ROÇZEIRAL de Ferreira Gullar, do livro A Luta Corporal. Esta junção de palavras em meu ver, resume um sertão de Diadorim, dentro de mim, de miguilim e de tudo que, de tão grande de afeto, vem no mineires, em diminutivo.

ai está o poema, que por hora, quase foi o título desse blog.


ROÇZEIRAL


Au sôflu i luz ta pom- pa inova’ orbita FUROR tô bicho ’scuro fo- go Rra
UILÁNUILÁN, lavram z'olhares, flamas!CRESPITAM GÂNGLES RÔ MASUAF Rhra
Rozal, ROÇALl’ancêndio Mino- Mina TAURUSMINÔS rhes chãns sur ma parole - ÇAR
ENFERNO LUÍZNEM E ÔS SÓES LÔ CORPE INFENSOS Ra CI VERDES NASCI DO CÔFO
FORLHAGEM, fo-lhargem q’abertasffugas acêças
GUERRASdê pomos -pomares risteMON FRÈRE MA FRÊLE - te roubo o roubo CÃO das Haspéridas
Dê seque pelesperseques rijescurraçanáduspur flór oblófs!
LO MINÇA GARNE Mma! Ra tetti mMá
Mu gargântuFU burgeMU guêlu, MuTempu - PULCI MU LUISNADO VU GRESLE RRA Rra Rra. GRESLE RRA
I ZUS FRUTO DUDUZO FOGUARÉO DOS OSSOS DUS DIURNO RRRAMU MAÇÃ N’ÃFERN TÉRRE VerroNAZO
OASTROS FÓSSEIS SOLEILS FOSSILES MAÇÃS Ô TÉRRES PALAVRA STÊRCÃ DEOSES SOLERTES PA- LAVRA ADZENDA PA- LAVRA POÉNDZO PA- LARVA NÚ- MERO FÓSSEIL LE SOLÉLIE PÓe ÉL FOSSIL PERFUME LUMEM LUNNENi L U Z Z E N M
LA PACIÊNÇA TRA- VALHA LUZNEM





Exercícios de poesia fonético-sonora feitos em classes.

video

video

12/03/2009

Para escutar e mergulhar antes de dormir.





10/03/2009

hecho en china

(para los que queiran saber de mí y practicar el español)

Valencia, lunes, 15 de febrero de 2009.

He dormido bien y he despertado a las 12. Por la mañana he dado vueltas en el sillón como un perro girandose alrededor de su culo.
Salí por primera vez a las calles de la ciudad. Todo es muy limpio y claro. Se ve todos muy bien abrigados en sus chaquetas. Yo, hasta ahora, me visto como cebolla, o sea, por camadas de ropa sobrepuestas. Sin embargo en día no estaba tan frío así.
Me fui a la universidad, pero la oficina estaba cerrada y había un cartel en la entrada que decía "Erasmus". Me acordé de las palabras de Airton diciendo que ellos son como invasiones de insecto en los mejores pisos para alquiler.
-Pero, yo no soy Erasmus, soy Roberto, Roberto Carlos, el rey, lo que canta en cruzeros de navios y se parece a mi tia Ana. - Esta fue la broma que hicimos en la noche anterior que nos dio mucha risa.
Veo ahí la tendencía a privilegiar, darles ventajas a los europeos. Veo aqui, que soy una mujer latinoamericana que se sorprende más con el frío de la gente, que del clima.

Caminé, fui a un estanco, a la frutería de los árabes, al metro, y más una vez precebí cuantos colores traigo en mis vestimientas a comparación de los otros, monocromáticos.
Todo aqui sigue un mismo patrón, desde los aceros hasta el pelo de la gente. No existe lo más lindo de Brasil, que es la diversidad. Yo misma me parezco con ellos, por fuera, pues adentro soy colorida, diversa, generosa y despistada. A razón de esta última calidad, he perdido mi cartera con 500 euros y mis documentos. A ver cuales serán las bienvenidas.



En el otro día se la busqué en el chino de los artículos importados, donde fui a comprar un exprimidor de naranjas y la mujer se me ha entregado con todo lo que tenía ahí. Los chinos están en toda parte y bajo todo el prejuicio con ellos, son personas del trabajo honesto. Quisiera yo, ojalá un día, irme a China. Desde este día paso a los querer muchisimo! Biendichos son los chinos y sus exprimidores de naranjas, banderas, bolígrafos, muñecos, inmas y todos aparatos inutiles y desechables que se produce ahí, que les gustan a muchos.

En esta noche con dos copas de vino me puse borracha, creo por la alegría de encontrarme la plata junto a la cartera roja que me ha regalado Th Costa. Me reí hasta la madre sobre el modo como nosotros, los brasileños hablamos. Aqui transcribo algo:

Nois vai tudo nadá no rio.
Us carro tava tudo estacionado.

Se percebe la ausencia de los plurales y más, donde se lee tudo, en verdad se quiere decir todo, pero por fin, sin pañuelo y con documentos (leese, sem lenço e com documento) me encanta tudo y todos, sobretodo a los chinos!



Escultura contemporanea china - Festival Cervantino - Guanajuato - Nuevo León - México, 2007.

fagocity

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IU IU

Não sei porque cargas d'água me fazes ter vontade de comer.
Pelas pregas macias de minha boca, um portal escuro, a gruta da garganta, que as vezes grita roca, as vezes silencia rocha. Quanta fenomelogia existe nas entradas ocultas! Onde o real só se revela ao estar dentro, atrelado à expectativas anteriores. Minha saliva quebra o amido - o maíz, logo após o tubo-bambu traquina o caminho da comida ao estômago - o pai das emoções. Por todo tanto, as vezes tenho paladar infantil. Aquela vontade de comer o último quadradinho de chocolate antes de dormir. O desejo reprimido se esvai entre a boca e a barriga. Se satisfaz quando está entorpe ou entorpecido. Exageros do querer, a gana, e sua satisfação provisória e revisitante. Entre cafezinhos, ervinhas e quadradinhos de chocolate, que quero comer com você, o que quero comer mesmo: é você!



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05/03/2009

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Escrever poesia ou ser ávido de práticas poéticas é abrir seus próprios devaneios para o deleite alheio. Assim é o poeta é um altruísta ou um vaidoso?
Talvez uma possibilidade não exclua a outra, mas uma coisa é certa, o poeta é pois, desperto. Ele sai da sonolências das sensações mudas do corpo e se vale de uma certa objetividade expressiva, para que sua poética se faça acessível. Não há criação que fique nas idéias. E não há subjetividade que não se condence em algo objetivo para se fazer manifestar. As palavras, por si próprias, respondem ao mesmo processo. São a materialização de uma pré-linguagem, sensível, quase instintiva.
O poeta recria sua experiência à seu modo quando domina a linguagem, em sua expressão recategoriza ele e quem o lê, enquanto o leitor ganha antecipação de vida aos encantos da imaginação do poeta.

Ando lendo poemas de amor.

04/03/2009

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CONDUÇÃO
MEIO
CORPO





vídeo que acabo de ver e que gostei muito. as idéias se repetindo em diferentes estéticas.
Boloido Éden
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Exposição dos Penetráveis no Centro Cultural o Helio Oiticica.

Penetráveis

Espaço significativo do ser onde não há proposição.
Liberdade.
Lugar, onde a ambientação não interessa como informação para indicar algo.
É a não-ambientação, a possibilidade de tudo se criar das células vazias. Aguadas.
Onde busco aninhar-me ao sonho, na construção de totalidades.
O auto-fundar e o supra-formar.
Uma barraca, um ninho-prazer.
Um mundo onde cada um é uma célula tronco, um grão-potência, onde somos pés de feijão gigantes, árvores ambulantes.


Experiência de reação-estímulo) ) ) )


um vão entre as telas de nylon.
um piano e um banquinho, a conta exata para um.
mas que fazer de meus dedos se eles não sabem tocar piano
toco o som, o chão.
fico na imanência de ser, humano, bípede e infinitamente criativo.





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Viajar sozinha é cansar e não ter arrego
é o próprio rego cavando um rio
que corre com outros
às margens.

-casa das ruínas, stª tereza, rio de janeiro.



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o domingo da vida

Epílogo sobre o lazer não repressivo:

O mundo se cria no nosso lazer e em torno dele, não como fuga, mas como ápice dos desejos humanos!

permanência do instável




Aqui pois escrevo agora, transcrições de um diário de mão. Este que escrevi desde o começo de minha viajem, saindo de Uberlândia, farinha do saco onde me misturo, até a Rio de Janeiro, cidade novela, onde a realidade é o próprio drama.


Encaro coincidências como sinais, de um ou mais, caminhos certos.
Escrevo desde o Museu Paço Imperial, diante de uma tapeçaria de Burle Max, paisagista, pintor, figurinista, cenógrafo.
É impresssionate ver como sua geometria me revela contextos geomorfológicos. Percorro com os olhos a topografia desse espaço bidimensional à minha frente, o que me põe o pensamento em errância.
Nos termômetros 40º, me refugio em ambientes com ar condicionado. Na cidade escaldante, não sei quem derrete sobre o asfalto, se eu ou os prédios.
A noite ventanias que balança a rede. Estou em um albergue carioca. É fácil fazer amizade quando se parece estrangeira, em geral todos se colocam aptos a ajudar.
Brasileiro tem uma tendência a valorizar o exótico, mais quem é tido mesmo como exótico na gringa, no sentido desviante do termo, somos nós, os próprios.
Estive em uma fila do INSS em pé por quarenta minutos, quase presenciei o início de uma quebradeira, as pessoas, velhos, anciões, mães com crianças no colo, office-boys malandros, todos
revoltados com a fila para tirar a senha. Ali eles ainda não conhecem a máquininha que puxa o papelzinho com o número. Mais uma demonstração de falta de respeito com nosso povo.
Vim para tirar o seguro saúde e o visto e dentre tanto, flanar, visitar museus e livrarias, tomar água de côco no calçadão de Copa.
Agora eu também faço parte da paisagem-postal do Brasil.
Caminho pelas ruas de pé aberto.

Praça XVI de Novembro, Rio de Janeiro, 2005. Arredores do Paço Imperial.

10/01/2009

vogal

Dou canto
ganho canções
e as recebo como o próprio corpo de quem canta
devolvo com o mutismo de quem escuta e dialoga consigo mesmo.
dou espera em um imediato de amor.


Um canto, que não diz mais, que a respiração ritmada de quem se quer ouvir o peito,
à quem faz deste peito, endereço para poder viver perto.

Escuto as cordas vocais
desde o peito à garganta:
um belo regalo muscial,
vejo a movimentação da boca,
o abismo do silêncio.

07/01/2009

BABEL




Babel era a torre que, segundo a narrativa bíblica, conectava o céu com a terra. Sua edificação era feita em partilha entre todos os seres a partir de uma língua comum. Alçando os céus, o homem quiz passar adiante do próprio trabalho humano, quiz ter o poder sobre o tempo e sobre os outros, quiseram ser como Deus.
Assim, como uma punição à falta de humildade, as linguas formam misturadas, criou-se os idiomas; e a construção foi interrompida por falta de comunicação entre os humanos.

Várias outras vezes os homens quiseram se igualar a Deus.
Surgiram deuses do povo à referência de ideais variados, sejam por bondade ou astúcia. Multiplicaram-se as divindades. Até objetos podiam representa-los, como o caso do artesanato Huichol mexicano, cujo produto não é resultado da articulação dos deuses da natureza com os homens, mas eles próprios seriam outros deuses.

Logo, a densidade demográfica de seres divinos cresceu e ainda cresce à necessidade de construção de novos babéis.
Vê-se deuses entre humanos, semi-deuses e semi-humanos, todos numa mesma marcha polifônica de tempos variáveis, todos formando um mesmo grande volume no espaço.
Não é facil, pois, identificar as diferentes categorias de ser. Eles convivem juntos e se contaminam. A estrutura humana de estabilidade é frágil; altamente alterável. Não há mais tantos limites entre o sagrado e o profano.

Insatisfeito, o homem tenta subverter a imposição de Deus e aprende outros idiomas, viaja além das linhas dos mapas, elimina suas fronteiras: quebra os muros da Babel.

A grande massa se apropria disso, constrói templos, escolas, uns mais, que ensinam aos outros menos. Sempre em função de troca ou escambo. A troca é objetivada pela moeda. As cartas cada vez mais escassas. Politeísmos e poliglotismos. Pluricultalismos, polifonias...todos à busca de sentido ou de um sentido que lhes caiba!

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As fotografias acima relacionam o edificio Copam em São Paulo, visto de sua parte traseira, com todas suas paredes vítrias que refletem a luz das publicidades televisivas, que também recorda a China e seus amontoados humanos ou mesmo o trabalho do artista Cildo Meireles, que empilha rádios em estações diferentes.

O que conecta os três é o olhar anti-convencional que reflete o espaço contemporâneo e a diluição de suas fronteiras - principalmente a fronteira sonora. Não se pode deixar de ouvir se está em um mesmo espaço, apenas deixar de perceber o ouvido, do espanhol,
olvidar:


ouvido

olvido


Não me surpreendo mais ao encontrar essas sincronicidades significantes entre o português e o espanhol, de modo que sigo adiante para ver o que me reserva este idioma.

Aprendo línguas para chegar à Babel.

14/12/2008

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PAZMAR



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13/12/2008

y

it's a long way
ipsolon way



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e se não tivesse o amor nem se saberia




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o Y é a grafia da terceira margem do rio

onde ela fica
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a água passa a areia se embebe do lugar: sejamos marginais.




ribeiro, do latim beira, margem.
o rio só ri pelas metades.

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ipsolon way ...


yananda

11/12/2008

inter-sítio

onde reside a arte? No produto ou no processo?
a arte está na vista de quem a visa, na arte-vida.

não visada como mercadoria,
nem avisada por algum acordo.

a arte é espontânea
e de algum modo, fica.

se é efêmera fica no corpo;
se é espacial, nos resíduos;

a arte cria memória nos inter-sítios -
nos intersticios do corpo num lugar.

08/12/2008

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PRESUMIR (español)..................................................................................................
.RESUMIR

(português)







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Encontrei no dicionário o significado da palavra em espanhol presumir, e lá estava escrtito "asnear por vanidad". Foneticamente lhe atrubui uma tradução para o português, que é resumir. Pois o asno não vê a complexidade das coisas, identifica nelas algo raso, que expressa por palavras simplificadas e resume um todo, que por suas relações, é infinito.

Não posso categorizar-me como quem preenche uma ficha de inscrição. Ocupação: ??
De que você se ocupa o tempo?



05/12/2008







intrépido o telefone toca:
- oi e ai, que que você está fazendo?
- bom... agora... existindo...mas um segundo antes de você ligar eu não dira o mesmo. Não estava habitando o mundo dos telefones e computadores. Minha existência não é condicionada a nenhuma ação definida, sabe? Respirar já é um movimento. Eu faço hora, faço as horas. E já que elas veêm que venham sempre dançando, num ritmo de cordas vocais ou desvios opticos das linhas de uma página ou tela. Borrei o tempo e o espaço, mas invariavelmente eles ainda continuam aqui. tsc..sem chance de usar a mesma palavra do espanhol para dizer isto , borrar. Te conto, outro dia mexendo nas funções da máquina fotográfica digital li a opção, borrar todas, num segundo confundi meu idioma e quase que involuntariamente a apertei, na ancia de ver alguma distorção naquelas realidades apreendidas acontecer. deixaria a tecnologia dar sua participação e assim ia perder tudo, todos as imagens iam se apagar. Alguns gestos não tem volta.
A vida não tem Ctrl Z.





Cândido Torquato Portinari, meu primo

Portinari, pintor das massas, assumia querer pintar o Brasil e suas regiões. Viajou o mundo e quiz pintar a América, fazia uma arte-essencial, profundamente ligada a sua história de vida. Candinho, homem, o menino que cresceu em uma cidadezinha no interior de São Paulo, com jardins e uma bela escultura de São Francisco pregando aos passarinhos em tamanho real na praça principal; desenvolveu uma preocupação social que nunca pôde deixar de figurar em sua arte.
Mesmo ganhando bolsa de estudos em Paris para estudar Belas Artes, Portinari sempre carregou consigo a pequena Brodoski. Onde sua familia interagia com a minha, em cafés da tarde e brôas de milho. Por isto, o chamo de primo, qualquer que o sangue que corre por nossa veia artística.
Por sua inclinação comunista e envolvimento direto com a pólitica. Portinari pintava denuncias de um país em miséria, captava a sensibilidade do rústico a partir de uma estética modernista que dialogava com os demais artistas e intelectuais da época, como Mario de Andrade, Manuel Bandeira, Antonio Carlos Callado, Josue de Castro, Murilo Mendes, Gilberto Freire, Sergio Buarque de Holanda e outros.
Segundo as próprias palavras do artista para o jornal Gazeta em 1947, a respeito das indagações feitas pelo crítico de arte português Mario Dionísio sobre fazer uma arte-engajada, ele diz:



"A condição do artista é ser um homem sensível. Não é possível que as emoções mais altas do mundo não toquem um homem normal. A injustiça humana, a miséria, as crianças famintas, são um grito tão grande que não pode deixar de ser ouvido."



Além de suas poéticas visuais, Portinari também escrevia poesias. Um exemplo foi a que escreveu diante dos nordestinos marginalizados que chegavam à região do interior de São Paulo, de Ribeirão Preto, Batatais e Brodoski, para o quadro Os Retirantes, que transcrevo aqui:


"Os retirante vem vindo com trouxa e embrulhos

Vêm das terras secas e escuras: pedregulhos

Doloridos com fagulhas de carvão aceso

Corpos disformes, uns panos sujos,

Rasgados e sem cor, dependurados

Homens de enorme ventre bojudo

Mulheres com trouxas caídas para o lado

Pançudas, carregando ao colo um garoto

Choramingando, remelento

Mocinhas de peito duro e vestido roto

Velhas trôpegas marcadas pelo tempo

Olhos de catarata e pés informes

Aos velhos agarradas

Pés inchados enormes

Levantando o pó da cor de suas vestes rasgadas."






Portinari - Os Retirantes




Desconhecendo a arte do verso e sua técnica, Portinari escrevia poesias puras e é na simplicidade de sua escrita que reside toda a beleza de comoção de suas palavras.
Mesmo após suas viajens ao Velho Mundo, conhecedor de importantes museus, bibliotecas e pessoas. Depois de ler, estudar, observar e viver com profundidade as coisas de nosso país e do exterior, Candido Portinari mantinha sua linguagem caipira mineira e paulistana. Ele escreve um texto que resume sua condição de exilio cultural quando estava em Paris, ao relembrar um tipo popular de Brodoski, o Balaim:


"Só tem um dente. Usa calças brancas feitas de saco de farinha de trigo, cheias de remendis escuros de pano listrado: ainda se nota o carimbo da marca da farinha. Embaixo, ele amarra as calças com palha de miho para não apanhar lama - não usa botina dia de seman (...) Balaim vai calçado de botinas de elástico - ele fura um burraco do lado do joanete. As calças ficam gastalhadas nas botinas. Só se usa colarinho, não se ajeita com gravata. Balaim é beira-córrego e dono de um sítio. (...) Honesto por necessidade acredita em Deus e em todos os santos porque tem medo. (...) Vim conhecer aqui em Paris o Balaim, depois de ter visto tantos museus e tantos castelos e tantas pessoas civilizadas. Aí no Brasil eu nunca pensei no Balaim. Apesar de eu ter sangue de gente de Florença, cidade de Romaim Rolland diz: "...febril, orgulhosa, onde cada um era livre e onde cada um era tirano, onde era esplendido viver e onde era um inferno". Eu me sinto um caipira. Daqui fiquei vendo melhor a minha terra, fiquei vendo Brodoski como ela é. Aqui não tenho vontade de fazer nada. Vou pintar o Brasil, vou pintar aquela gente, com aquela cor. Quando começi a pintar sinto que deveria fazer a minha gente e cheguei a fazer o 'Baile da Roça'.
Depois desviarm e começei a tatear e pintar sem nenhuma orientação. (...) A paisgaem onde a gente brincou a primeira vez não sai mais da gente e eu quando voltar vou ver se consigo fazer a minha terra. Eu uso sapatos de verniz, calça larga, colarinho baixo e discuto Wilde, ms no fundo eu ando vestido como Balaim e não compreendo Wilde. Tenho medo da polícia, ando com os papeis sempre em dia e tenho medo da gente que tem emprego vitalício. Tenho saudades de Brodoski pequenininha, duzentas casas brancas de um andar só, no alto de um morro espiando para todos os lugares, com a Igreja sem estilo, uma torre no centro e duas pequenas do lado, com o altar que eu fiz."


Portinari utilizou de influências europeias em sua obra, mas sempre para retratar algo nosso. Observa-se um pouco de expressionismo alemão, de cubismo español, mas tudo isto voltado para a manifestação daquilo que o toca, o povo.
Levamos estratificado na pele as memórias de velhos tempos e ao escavarmos o imaginário vemos que a matriz da linguagem e da poética possuem bases simples e sólidas, com a infância e as preoupações sociais de uma alma indagante e inconformada com injustiças. Portinari fez de sua arte um estandarte do Brasil para o mundo e uma crítica ao Estado que se imortalizou na autenticidade de seus quadros, ele colocou nos murais e cavaletes o olhar desviado daqueles que preferem não ver. Deu beleza à realidade triste de nosso país.

Referência:

BERARDO, João Batista. O POLÍTICO Cândido Torquato Portinari. Ed. Agua Rasa, São Paulo: 1983.

04/12/2008

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RETIRAR-SE
REITERAR-SE
SE
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se: condiconal reflexivo

28/11/2008

A cidade que engole

CAFÉ DA MANHÃ EM PLUTÃO




A cidade que nos engole. Idéia explorada no filme Breakfast on Pluto a qual Londres envolve a mãe de Patrick Braden (Cillian Murphy), que a leva sair de uma pequena vila na Irlanda pelas necessidades e desejos surgidas na metrópole inglesa e "some".


Patrick então é impelido por uma seqüência de situações drásticas em sua vida. Durante os 129 minutos de filme, Kitten se move em busca da sua referencia materna, mantendo sempre, apesar das enormes divergências, um ar de inocente e otimista, misturado de um sarcasmo e, sobretudo, de muita beleza .


Entre convivências com diversos homens, promiscuidade, sujeiras, canções, hippies e amigos, ele encontra, na verdade, não à sua mãe, mas ao padre, seu pai, que o traz consigo de volta para Irlanda. Frente a um juízo moral entre a sociedade e a Igreja o padre assume seu filho travesti e sua amiga gravida de um membro revolucionário de oposição ao movimento IRA - exercito paramilitar católico que intencionava que a Irlanda do Norte sesepara do Reino Unido e fosse reanexada à República da Irlanda e que se utilizava de métodos tidos como terrorista.


Encontros.



Choque de grupos revolucionários contra o conservadorismo do IRA e sua idéia de integração territorial da Irlanda com o Reino Unido.



O ator Cillian Murphy monstra uma excelente atuação com seu humor negro, discreto e refinado. O diretor Neil Jordan consegue passar manisfestações belissíma de amor com Café da Manhã em Plutão. Um filme elegante e positivo.


Kitten e suas derivas urbanas estruturadas pela a busca da mãe. Andanças provocativas e estilosas.

24/11/2008

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Otavia, pêlos de mel
A primeira vez que me beijou a caceta,
entendi que jamais seria anacoreta.
Não beijou com a boca, Color del texto
beijou com a boceta.


Hilta Hist







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o anacoreta

O anacoreta é aquele que é animado por um sentido de retirada, de exilio interno, de desertificação frente seu espaço circundante. É pois, aqueles que ficam em retiro. Alguns ora se metem mais a dentro das coisas, buscam uma reclusão absoluta, se obliteram do mundo numa via de gozo íntima e impenetrável. Como uma criança que se cobre na cama, criando fronteira entre seu corpo e o mundo ao adotar a realidade à luz, apenas de sua imaginação.
Exercício de obliteração do mundo: fazer amor em um quarto totalmente escuro, abolindo o mundo, fundindo-se no outro e fechando-se apenas ao fluxo de sensações decorrentes. Tornar-se andrógeno.


O anacoreta se aninha num distanciamento das ordens superfluas. Ele está em retiro mesmo quando não está só. É um retirante ou errante, que comete desvios no processo de formação das vontades; que constrói o que Merleau-Ponty chama no ensaio Fenomenologia da Percepção, de "cartografia dos desejos", ao buscar uma verdade que é equiparada com a beleza.


O errante anacoreta pode exilar-se na clausura ou nas imensidões. Ora é impelido pelo sentimento de entrada ou pelo sentimento de saída, sendo que a real dimensionalidade de sua vida está situada entre suas decisões, no movimento espontâneo e pleno, de simplismente estar sendo o que se espera ser.

O anacoreta é livre, mas se frustra com as limitações que ele próprio cria dentro de sua liberdade, logo, resolve abandonar e tentar de novo. Ampliar seu plano de possíveis.


Existem assim, anacoretas de quarto, de grandes cidades, de pastos e matos, anacoretas mochileiros, monges, artistas, poetas, haribol ou intelectuais. O que eles têm em comum são a marginalidade. Não são levados pela correnteza nem pelas massas. Estão em total conexão consigo mesmos e por isto, rumam eles próprios seus caminhos para o bem, que cada um considera para si, sem que seja necessário para isto, classificar-lhes suas ações como egoístas ou autruístas.

20/11/2008

só o bobo é capaz de excesso de amor


Das vantagens de ser bobo

Clarice Lispector


O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir, tocar no mundo.

O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas.
Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo, estou pensando”.

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem.
Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.

O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver.

O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer.

Resultado: não funciona.

Chamado um técnico, a opinião deste era que o aparelho estava tão estragado que o concerto seria caríssimo: mais vale comprar outro.

Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e, portanto estar tranqüilo.

Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros.

Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera.
É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu.

Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos.

Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida.
Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás, não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas.

É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca.

É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.



sugar baby














Imagens do Filme Estação Doçura

Direção:
Percy Adlon
Ano:
1985
País:
Alemanha
Gênero:
Comédia, Drama, Romance
Duração:
86 min. / cor
Título Original:
Zuckerbaby
Título em inglês:
Sugarbaby



http://www.percyadlon.com/

Lacuna 3: Do Acesso à Chocolates e Brigadeiros

Vive-se uma forma de "estar-junto" que não está voltada para o longincuo, para o alcance de uma sociedade melhor ou perfeita no porvir, mas que se dedica a cuidar do presente, a organiza-lo, e além disso, tenta se tornar o mais hedonista possível. Busca medidas compensatórias e compara valores aleatórios.





Receita Palha Italiana Crocante

Brigadeiro
Bolhacha Maria
Uma gota de mel
Semente de Girassol
Semente de Linhaça


Coloque tudo para esfriar, corte em formato assimétrico e sirva sem açucar.

19/11/2008

sobre o nomadismo em GS:V

Riobaldo:
o senhor sabe o mais que é, de se navegar sertão num rumo sem termo, amanhecendo cada manhã num pouso diferente, sem juizo de raiz? Não se tem onde acostumar os olhos, toda a firmeza se dissolve. Isto é assim. Desde o raiar da aurora, o sertão tonteia. Os tamanhos.

(ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas - 19º ed, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. página 331)




fotografia na divisa do México com a Guatemala, 2008.